Thursday, February 27, 2020

METAMORFOSE

Cecília Meireles
Viagem (1939)


Súbito pássaro
dentro dos muros
caído,

pálido barco 
na onda serena
chegado.

Noite sem braços!
Cálido sangue
corrido.

E imensamente
o navegante 
mudado.

Seus olhos densos 
apenas sabem 
ter sido.

Seu lábio leva
um outro nome 
mandado.

Súbito pássaro 
por altas nuvens 
bebido.

Pálido barco 
nas flores quietas 
quebrado.

Nunca, jamais 
e para sempre 
perdido
o eco do corpo
no próprio vento
pregado.

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